A prova no Domingo desenrolou-se no centro histórico de Toledo, assemelhando-se a uma prova de Sprint urbano, com partida junto ao Alcazar e chegadas na Praça de Zocodover. A mim correu-me melhor que no sábado (pelo menos não desisti!!) apesar de muitas peripécias e de pensar várias vezes que a orientação não foi feita para mim.
O casco histórico de Toledo é uma rede de ruas, ruelas, becos e vielas que se articulam entre si, por vezes ligados por lanços de escadas, isto para todas as direcções possíveis da rosa-dos-ventos.
Uma prova neste labirinto foi um verdadeiro desafio de orientação, propriamente dito! Rapidamente me perdi logo a caminho do ponto 2. Pensei em voltar ao ponto 1 para me re-localizar mas as ruas que tinha passado e pensava que memorizado, não lhe levaram até ao ponto 1.. Dei por mim a vaguear sem qualquer orientação à procura de alguma referência. Por sorte (digo isto porque se não fosse assim não sei se iria conseguir sair do labirinto) cheguei ao local da chegada.. Assim, sabendo onde estava, lá fui ate ao ponto 2.. E apercebi-me que ao contrário de outras provas urbanas em que quase não usava a bússola, teria de a usar para não haver muitos mais percalços e de facto veio a revelar-se importante face à poucas referências para além de cruzamentos, ruas, ruelas, becos e vielas mas o que não significou o fim das aventuras de uma Sara desorientada no "labirinto"..

Mas o ponto 13 é que foi.. Deve ser o meu record de tempo num ponto: 27 minutos (não é para todos!)! Estava animada, a partir do ponto 6 a prova estava-me a correr melhor e já faltava pouco para terminar mas o número do azar veio mostrar que o final da prova ainda estava longe. Repeti para mim tantas vezes "maldito número 13", "13 sinómimo de azar, é verdade", " porquê o 13 no meu mapa"..

Neste combate com o 13 houve várias pequenas histórias, das quais vou partilhar uma. Eu olhava para o mapa já suficientemente atrapalhada, tentava perceber porque que não encontrava aquela ruela e apercebi-me que tinha à minha frente dois "turistas" com máquina na mão que tentavam tirar-me uma fotografia.. Eu cá para mim pensava, devem querer tirar uma fotografia mas é à rua, deixa-me cá afastar-me.. Mas de cada vez que me afastava, a máquina acompanhava o meu movimento.. E não percebia, interrogava-me: para para que eles querem uma fotografia minha?! Qual não é o meu espanto que ao fins de alguns segundos de de fuga à máquina fotográfica ouço os "turistas" dizerem-me: "Força Azoia!! Força !! Azoia!! ". Afinal não eram turistas mas dois atletas portuguesas que já tinham terminado a prova e andava por ali a passear e a dar algum entusiasmo aos Lusas perdidos.. lol
Terminei a prova ao fim de 1h44, não satisfeita com a minha prestação (29ª lugar num conjunto de 30 atletas) mas muito feliz por ter tido a oportunidade de participar nesta prova, num cenário e ambiente único.

Imaginem o que é um centro histórico, apinhado de turistas e no meio deste frenesim turístico, um grupo de gente com fatos coloridos, com mapa na mão a correr pelas ruas estreitas onde nem as escadas os intimidam..
Foi este o cenário fantástico da prova, com turistas a abriram alas para nós passarmos, turistas a tentar ajudar (ou não!), dizendo “es por ali”, “estay ali, estay ali” quando avistavam uma baliza de orientação e ainda os mais curiosos perguntando o que estávamos a fazer e os mais desportistas, comentando as nossas prestações..
( Reparem, as balizas de orientação estavam presas a cadeado, não vá o diabo tecê-las e alguém querer levar uma para casa!! ;) )

1 comentário:
Muito bom!!! Gostei de ler esta descrição da prova de Toledo!
Tens um grande dom para a escrita e uma facilidade em descreveres o
que te rodeia... Espero que continues a escrever independentemente
de como esteja a rosa-dos-ventos... :D
Fico á espera da próxima história Cinderela Orientista... :P
Big Kisses...
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